“Se a educação sozinha não transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda".
Paulo Freire
O homem em sua essência é um ser dialógico, pois vive em constante interação com o outro. Para tanto, faz-se necessário amor nas relações professor-aluno, pois “Não se pode falar de educação sem amor". Isso se dá tanto no presencial quanto na ead. O amor facilita ou oportuniza o estar junto virtual. Amar é preparar os alunos para exercer o seu direito à liberdade, ou seja, a tão sonhada autonomia na ead. Isso é um exercício, uma prática contínua que visa ao crescimento do discente e, consequentemente, do docente.
O educador, o tutor, precisa de humildade para aproximar-se dos alunos e criar um ambiente pacífico e dialógico. Às vezes lançamos uma questão no fórum que para nós é facílima, mas não nos colocamos no lugar do outro. É preciso um “comando” claro em uma questão. É preciso que o docente elabore suas atividades pensando no sujeito: aluno. Colocar-se no lugar do próximo nos possibilitar revisitar o nosso eu.
É preciso fé no discente. Não uma fé cega, mas uma fé dialógica. O professor deve acreditar que o seu aluno é capaz. Para isso, é necessário que ele se convença do poder de sua tarefa. Como posso elaborar algo desejando que o meu aluno não alcance o topo? Infelizmente, já vivi isso em minha graduação. Um professor que dizia que seria impossível algum aluno ser como ele. Ainda bem! Vejo que muitos de nós (pelo menos os que ainda mantenho contato) estamos melhores. O professor deve ser o grande estimulador da beleza ou da “boniteza” que cada um guarda em si e que é capaz de desenvolvê-la.
Esperança. Ah, esperança! Não a dos que param e aguardam as coisas acontecerem, mas a dos que acreditam em algo e lutam com todas as suas forças para que isto se realize. A EaD tem proporcionado uma inclusão formidável, pois muitos dos discentes da UAB, sobretudo, os da região interiorana tem na graduação semipresencial a realização de um sonho. Escutamos muitas críticas com relação à ead, muitas delas por puro preconceito, mas hoje um novo cenário se abre e o uso da tecnologia no meio educacional é a “bola da vez”!
A Ead tem proporcionado aos discentes um verdadeiro pensar crítico, pois o tempo inteiro eles são chamados a apresentar sua opinião. Seja em uma atividade de portfólio em que o aluno deve ler um texto e produzir um novo texto crítico, seja no fórum em que ele precisa interagir com os demais, não com expressões do tipo “concordo”, “discordo”, mas imbuído de criticidade. Uma das possibilidades para o desenvolvimento desta criticidade está no embasamento teórico.
Observamos que estes cinco pilares freireanos (amor, humildade, fé nos homens, esperança e um pensar crítico) são indissociáveis e fazem parte de um movimento cíclico que não se esgotam nem para o professor nem para o aluno. O professor deve utilizá-los de maneira que possa libertar os discentes das amarras da passividade. O professor reflexivo que deseja formar um cidadão crítico (como propõem os PCNs) se utiliza de todos e de cada um destes elementos.
Freire nos impulsiona a refletir sobre quais contribuições nós educadores temos dado aos nossos alunos visando a um contínuo diálogo com o objetivo de proporcionar interação e confiança para que, livres, os educandos possam externar suas opiniões, dúvidas e anseios e cheguem a uma educação crítica e consciente, pautada pela responsabilidade social e política e que respeite o contexto em que eles estão inseridos.
Diante disso, observamos que os ambientes virtuais têm como base o diálogo, a interação, a troca contínua de saberes, de práticas de aprendizados. Se Freire ainda estivesse fisicamente conosco, certamente, seria um grande entusiasta das TICs, pois um de seus legados foi a expansão do ensino aos lugares mais longínquos. E o que faz hoje a ead?