sexta-feira, 10 de junho de 2011

Os elementos de dialogicidade de Paulo Freire

Os elementos dialogais que Paulo Freire direciona a troca de informações entre educador-educando são: amor, humildade, fé nos homens, esperança e um pensar crítico. São peças que sustentam a educação dialógica e problematizadora.


Segundo Freire “não há diálogo se não há um profundo amor ao mundo e aos homens”. Nesse contexto, a prática educativa se justifica pelo querer bem aos educandos, direcionando sua formação, valorizando suas habilidades, e contribuindo para uma pedagogia libertadora. Em EaD essa afetividade se mostra através dos recursos de linguagem escrita, quando da utilização de estratégias como, símbolos, caixa alta, palavras repetidas, etc. Assim, a atitude de doar-se ao outro, ao educando, atenciosamente, respeitando e reconhecendo o potencial do aluno dentro do ambiente de aprendizagem justifica o amor destacado por Paulo Freire.


A humildade como elemento de dialogicidade se expressa através da aceitação, do respeito, da oportunidade ao outro. O professor deixa de ser o centralizador do conhecimento, portanto o foco passa a ser os educandos. O educador torna-se parceiro dos aprendizes, contribuindo, orientando e com isso ajudando ao desenvolvimento coletivo. Na EaD deve existir uma maior interatividade, dessa forma humildade realiza-se nessa modalidade de ensino.


Para Paulo Freire a fé nos homens acontece no seu poder de fazer e de refazer. De criar e recriar. Fé na sua vocação de ser mais, que não é privilégio de alguns eleitos, mas direito dos homens. O educador deve ser o agente incentivador, estimulando, valorizando, sempre creditando no potencial dos educandos. No sistema de EaD o educador deve ser agente valorizador das contribuições dos educandos no espaço virtual, tornado esse ambiente um local onde as diferenças sejam respeitadas e não menosprezadas e que todos sintam-se à-vontade.


A esperança está na própria essência da imperfeição dos homens, levando-os a uma eterna busca. Uma tal busca, como já vimos, não se faz do isolamento, mas na comunicação entre os homens, palavras de Paulo Freire. A interação através do diálogo é fundamental para o desenvolvimento desse elemento de dialogicidade, e construção do homem. Em EaD o educando deve ser estimulado a ousar, buscar além dos conhecimentos que lhe são oferecidos no ambiente virtual, por exemplo. Essa busca deve ser realizada coletivamente, assim isso não contribuirá para a estagnação do conhecimento. A esperança é um incentivo e não deve ser praticado isoladamente, com isso o aluno será agente produtor de seu próprio conhecimento.


No que tange ao pensar crítico Paulo Freire comenta que os indivíduos envolvidos no diálogo devem exercitar uma reflexão sobre a realidade que os cerca em uma atitude de não conformidade. A não conformidade, constatação, dúvidas, indignação, posicionar-se, vontade de fazer diferente, opinar, são posturas que devem ser estimuladas no processo de ensino aprendizagem em EaD. Essas atitudes também não devem se restringir ao individuo em particular, mas sim, em toda a sociedade.


Com isso, percebe-se que a prática da dialogicidade deve ser exercida constantemente, ou seja, o diálogo como instrumento de conhecimento de individuo, mundo e sociedade, é por isso que sua utilização se faz necessário na EaD.

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